As declarações racistas da candidata Anne-Sophie Leclère contra a ministra da Justiça, que é negra, foram feitas no programa “Envoyé spécial” sobre os novos rostos da Frente Nacional no canal France 2, um dos mais populares da França.
Na sua página no Facebook, a candidata do partido de extrema-direita fez uma montagem fotográfica associando a imagem da ministra à foto de um macaco. Movimentos conservadores na França têm criticado duramente a ministra da Justiça pelo seu projeto de incentivo a penas alternativas para diminuir a população carcerária da França e também pela lei que autorizou o casamento entre homossexuais.
Questionada pela reportagem do programa sobre esse ataque pessoal à ministra, Anne-Sophie Leclère respondeu : "Prefiro vê-la em cima de um galho de árvore que no governo", declarou. Ela disse ainda que a ministra da Justiça é uma “selvagem” com um "sorriso diabólico”. Apesar desse discurso, ela afirma não ser racista. «Um macaco é um animal. Um negro é um ser humano”, afirmou. "Tenho amigos que são negros", continuou.
Depois da polêmica gerada pelas palavras, a candidata retirou do seu perfil na rede social a montagem com a ministra francesa. A Frente Nacional também tenta apaziguar os ânimos e anunciou na manhã desta sexta-feira que a candidatura de Anne-Sophie Leclère está temporariamente “suspensa” pelo comitê de disciplina do partido.
A candidata suspensa ainda não fez comentários sobre a sanção do partido. Na sua página no Facebook, ela continua a exibir a sua foto ao lado da líder da Frente Nacional, Marine Le Pen. Marine Le Pen, aliás, tem feito uma campanha na imprensa para impedir que o seu partido seja taxado de extrema-direita. Ela ameaça inclusive processar os veículos que continuarem a adotar o termo. Segundo Le Pen, esse rótulo prejudica a imagem da Frente Nacional.
Jornais como Le Monde e Libération dizem, porém, que não vão mudar de nomenclatura. “Essas ameaças de processo da Frnte Nacional não são novas. Jean-Marie Le Pen já tentou a mesma coisa nos anos 90, mas fracassou", escreve o jornal Le Monde.










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